terça-feira, 29 de julho de 2014

Funeral Blues

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message 'He is Dead'.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.

The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good.

domingo, 27 de julho de 2014

Um desabafo

'God grant me the serenity 
to accept the things I cannot change; 
courage to change the things I can;
and wisdom to know the difference.'

Prestes a fazer 22 anos, escrevo para não rebentar. Escrevo para não mandar mensagem. Escrevo para não arranjar confusão ou destruir mais coisas à minha volta. Prestes a fazer 22 anos, estou, por estes dias, mais inspirada para pensar na vida. Inspirada para pensar na vida e em ti. Não consigo parar de reviver todos os encontros e desencontros que tivemos nos últimos quatro anos. Pela primeira vez em anos parei para pensar na nossa história. Percebi que teve de ser assim: fiz muitas coisas que queria ter feito e que não podia ter feito antes. Fiz o que queria, vivi o que queria, com quem queria. Percebi também que não tinha de ser assim. Mas acho que estava demasiado ocupada a gostar de mim mesma para perceber isso. Demasiado agarrada a ideia de que tinha de viver tudo, de todas as maneiras, sem perceber que daí a uns anos ia estar exactamente no mesmo lugar, a olhar para ti com a mesma vontade, o mesmo desejo e, agora, a estranha impossibilidade de te ter. E agora és tu e somente tu que me vens à mente. Depois de todo este tempo, depois do quanto te magoei, do quanto neguei, do quanto tentei convencer os outros do quão não-para-sempre-apaixonada eu sou por ti, do quanto eu me tentei convencer a mim mesma de que não foi contigo que fui o mais plena que podia ser, depois de me teres tentado fazer ver todos os defeitos que tenho e contra os quais luto hoje mais do que nunca... é de ti que me lembro, é a ti que me apetece levar para casa, é a ti que quero ligar para partilhar o quão feliz estou a tantos outros níveis da minha vida. 

Desde há dois meses para cá que me lembro constantemente do momento em que eu soube que eras o amor e que queria ficar contigo para sempre. Uma manhã igual a tantas outras, tu com a tua t-shirt preta a jogar as cartas. Eu juro que naquele dia olhei para ti por uns minutos e pensei "A sorte que eu tenho de ter encontrado a pessoa com quem quero partilhar tudo da minha vida". Claro que neguei tudo isto interiormente, claro que eu achava que era demasiado nova para poder saber isso, claro que, como toda a gente diz, tu tens que ir viver as coisas, para saber se é mesmo isto que queres. Tu desviaste os olhos das cartas e olhaste para mim com esses olhos verdes lindos e sorriste. E aí eu soube. Eu soube que o meu amor por ti era para sempre, que era a tua voz que eu queria ouvir todas as manhãs, que queria que os nossos filhos fossem os mesmos, que era das tuas diferenças que me queria esquecer, que era por ti que queria fazer um esforço, que era de ti que queria poder morrer de saudades. E juro que nunca mas nunca vou apagar este momento da minha cabeça. O momento em que eu soube que eras a minha pessoa. E eu, mesmo novinha, não podia estar mais certa.

Durante estes anos neguei. Neguei que penso em ti todos os dias, neguei que tenho ciúmes, neguei que fico destruída por dentro com a ideia de que o destino pode não nos juntar, com a ideia de te ver ter filhos de outra pessoa, com a ideia de que podes amar outra pessoa como me amaste a mim. Apetece-me desistir, só de pensar nisto. Eu fui viver a vida, fiz o que era suposto, mas que sentido faz ter tantas coisas, atingir um certo número de coisas e não te ter a ti para partilhar? Foi tão fácil ocupar-me com coisas, pessoas, trabalhos, saídas que vão e vêm durante este tempo todo. Tu foste a única coisa que ficou, que permaneceu, que permanece. Estiveste a correr-me nas veias em todas as saídas, em todas as viagens, em todas as histórias que tive com outras pessoas, todas as noites, todos os dias. Porque é sempre em ti que acabo por pensar.

Quando crescemos, mudamos, tornamos-nos mais ambiciosos. E tu sempre me disseste que estava a tornar-me noutra pessoa, que já não vias a minha humildade em mim. Percebi isso agora. Trocava tanta coisa para te ver olhar para mim outra vez assim. Infelizmente eu sempre fui muito mais estas palavras de merda do que atitudes. Sempre fui um protótipo, uma arrogante a quem sempre faltou humildade. Humildade até pra perceber o que querias dizer com aquele anel no aeroporto. Faltou-me e falta-me tanta humildade.

Cada vez mais penso e sinto toda a verdade que está em "coração que não vê, coração que não sente". Deixar de te ver com a frequência que via foi o remédio de que precisava para acalmar este amor que me convenci que não fazia sentido por sermos demasiado diferentes. Preferi destacar os teus defeitos e engrandecer as nossas diferenças, do que pensar em soluções para ultrapassarmos isto e sermos tão somente felizes. Porque eu te amo, porque tu me amavas também. Agora vejo-te, agora tenho de olhar pro que construíste, para as histórias que tens para contar, agora quero-te aqui. Agora percebo o que querias dizer-me e vejo que foste muitas vezes bem mais sensato que eu.

Vai tu agora, vai ver, vai viver. Vive agora o que tens a viver, sê feliz, mas não feliz o suficiente pra te esqueceres de mim. Não te esqueças de um dia voltar a ser meu, mas dessa vez, pra sempre. Nem que seja em sonho, nem que seja noutra vida.

Prestes a fazer 22 anos, estou inspirada para pensar na vida. Nas coisas que posso mudar e naquelas que não posso. E onde posso ir buscar a sensatez para saber a diferença? Uma coisa é certa: com 22 anos, eu amo-te, como sempre amei desde que me lembro, como sempre hei-de amar. Tu dás o sentido ao meu para sempre, para sempre.